A 37ª edição do Prêmio Shell de Teatro anuncia os indicados do primeiro período de 2026, selecionados pelos Júris do Rio de Janeiro e de São Paulo. Nesta etapa, os destaques são Edson e Mudando de Pele, que possuem cinco indicações cada, seguidos por Hip Hop Hamlet e As Centenárias, com três indicações.
Mais do que reunir os principais nomes da produção teatral do período, a seleção revela movimentos importantes da cena brasileira contemporânea: a expansão da musicalidade como linguagem dramatúrgica e a presença de obras atravessadas por memória histórica e questões identitárias.
Entre os destaques, pelo Júri do Rio, “Mudando de Pele” aparece com indicações nas categorias Atriz, Direção, Figurino, Iluminação e Música. O espetáculo, estrelado por Thaís Araújo, com direção de Yara de Novaes, acompanha uma mulher em processo de reinvenção e afirmação de identidade, abordando temas como pertencimento, racismo, gênero, autonomia e transformação pessoal.
Também com cinco indicações, “Edson” é outro destaque deste primeiro período, incluindo indicações para Matheus Macena nas categorias de Ator e Dramaturgo no Rio de Janeiro e também como Ator pelo Júri de São Paulo. Inspirado na história de Edson Luís de Lima Souto, estudante assassinado durante a ditadura militar, o espetáculo recoloca no palco discussões sobre memória, violência de Estado e apagamento histórico.
Outro destaque é “As Centenárias”, obra de Newton Moreno que retorna em nova versão musical, com Juliana Linhares e Laila Garin, direção de Luiz Carlos Vasconcelos e canções originais de Chico César. Pelo Júri de São Paulo, as indicações ficam com Juliana Linhares para Melhor Atriz; Chico César na categoria Música; e no Júri do Rio, o espetáculo conquista a indicação por Figurino com Kika Lopes e Heloisa Stockler. A obra já havia sido premiada pelo Prêmio Shell em sua montagem original, de 2007, nas categorias Autor, Atriz e Cenário. Agora, retorna em nova versão musical, ampliando sua presença na trajetória do prêmio.
Também com três indicações, “Hip Hop Hamlet” reforça a presença de releituras contemporâneas de clássicos na seleção do período. Indicado em São Paulo nas categorias Cenário, com Bijari; Direção, com Guilherme Leme Garcia e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos; e Dramaturgia, com Claudia Schapira e Lucas Moura, o espetáculo aproxima Shakespeare da cultura hip hop e evidencia a força de linguagens urbanas na renovação da cena teatral.
Para Glauco Paiva, diretor de Comunicação e Marca da Shell Brasil, a nova lista de indicados reafirma o papel do prêmio como uma plataforma de valorização da cultura brasileira e de reconhecimento da diversidade criativa dos palcos.
“O Prêmio Shell de Teatro acompanha há mais de três décadas a evolução da cena teatral brasileira, reconhecendo artistas, técnicos, criadores e coletivos que ajudam a traduzir os debates, as memórias e as transformações do país. Para a Shell, apoiar a cultura é parte do nosso compromisso de contribuir para o desenvolvimento da sociedade, valorizando iniciativas que ampliam o acesso, fortalecem a diversidade e estimulam novas formas de criação”, afirma Glauco.
Música como linguagem teatral
A 37ª edição do Prêmio Shell de Teatro também evidencia o crescimento da música como elemento estruturante da cena. A presença de espetáculos como As Centenárias, Fafá de Belém, o Musical, Mudando de Pele e Massapê aponta para um movimento mais amplo: o teatro musical vive um novo momento no Brasil.
“Há uma tendência muito forte do teatro musical. Antes, os musicais eram mais festivos; agora estão mais densos e discutem questões fundamentais para nossa sociedade”, afirma Celso Curi, coordenador do Júri do Prêmio Shell de Teatro. “O Prêmio Shell vem acompanhando de perto essa mudança e reconhece essa nova forma artística no teatro brasileiro.”
Segundo ele, a mudança não está apenas nas produções, mas também no público, nos criadores e no olhar crítico. “É um outro momento cultural, tanto para o público quanto para os criadores. O teatro tem um papel social importantíssimo e o musical vem ocupando esse novo espaço”, completa.
Sobre o Prêmio Shell de Teatro
Criado e realizado pela Shell Brasil desde 1988, o Prêmio Shell de Teatro é uma iniciativa proprietária da companhia e o mais longevo reconhecimento das artes cênicas em atividade no Brasil. Anualmente, contempla produções nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, premiando profissionais em categorias como Dramaturgia, Direção, Atuação, Cenário, Figurino, Iluminação, Música e Iniciativas de Impacto Social. Em 2023, o prêmio ampliou sua atuação com a criação da categoria Destaque Nacional, voltada a reconhecer espetáculos e artistas de outras regiões do país, fora do eixo Rio-São Paulo. Ao longo de mais de três décadas, o Prêmio Shell tem acompanhado as transformações da cena teatral brasileira, incentivando a diversidade estética, a inovação e o compromisso social da criação artística. A iniciativa reafirma o apoio contínuo da Shell à cultura como força crítica, criativa e transformadora.
Lista completa de indicados do Prêmio Shell de Teatro – primeiro período 2026
Indicados pelo Júri do Rio de Janeiro
Ator
Matheus Macena – Edson
Uriel Dames – Visto
Atriz
Helga Nemetik – Fafá de Belém, o Musical
Thaís Araújo – Mudando de Pele
Cenário
Bidi Bujnowski – Edson
Nello Marrese – Hétero Sigilo
Direção
Marcela Andrade – Visto
Yara de Novaes – Mudando de Pele
Dramaturgia
Julia Bernat – Minha Vó Ri
Matheus Macena – Edson
Figurino
Kika Lopes e Heloisa Stockler – As Centenárias
Teresa Nabuco – Mudando de Pele
Iluminação
Gabriele Souza – Mudando de Pele
Renato Machado – Diabólica Vingança
Música
Dani Nega – pela direção musical, arranjos eletrônicos e criação musical de “Mudando de Pele”
Pedro Nego – pela direção musical de “Edson”
Energia que Vem da Gente
Ana Kfouri – pelo livro pedagógico-artístico “Focos Móveis — Atuação no Campo Intensivo das Artes da Cena”, em que compartilha ideias e práticas desenvolvidas ao longo de sua trajetória, sistematizando sua metodologia e tornando-a acessível também de forma audiovisual.
Grupo Lume Teatro – pelos mais de 40 anos de criação, ensino e pesquisa em teatro e pelo modo de narrar essa história no espetáculo “Kintsugi – 100 Memórias”.
Indicados pelo Júri de São Paulo
Ator
Genezio de Barros – Uma Velha Canção Quase Esquecida
Matheus Macena – Edson
Atriz
Georgette Fadel – Gota d’Água – no Tempo
Juliana Linhares – As Centenárias
Cenário
Bijari – Hip Hop Hamlet
Daniela Thomas – Fim de Partida
Direção
Ana Rosa Tezza – Sonho de uma Noite de Verão
Guilherme Leme Garcia e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos – Hip Hop Hamlet
Dramaturgia
Carla Zanini – Coragem, um Lugar Melhor do que Aqui
Claudia Schapira e Lucas Moura – Hip Hop Hamlet
Figurino
Ana Rosa Tezza e Helena Tezza – Sonho de uma Noite de Verão
Karen Brustolin – TIP – Antes que me Queimem, Eu Mesma me Atiro no Fogo
Iluminação
Matheus Brant – As Armas Milagrosas
Wagner Antônio – Hamlet, Sonhos que Virão
Música
Chico César – pelas canções originais de “As Centenárias”
Juh Vieira – pela direção musical e composições de “Massapê”
Energia que Vem da Gente
“Farofa do Processo” por fazer do processo artístico, integrado à acessibilidade, o centro de seu movimento de produção e ocupar a Rua 13 de Maio, em diálogo com a cultura e os moradores do território.
“Ser em Cena – Teatro de Afásicos” pela atuação contínua na reabilitação de pessoas com deficiência de linguagem a partir do teatro, ação que resulta em interessantes espetáculos contemporâneos, como “Dodô”.

