quarta-feira, 30/09/2026

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Festival Ubuntu abre inscrições para selecionar artistas periféricos com cachê de R$ 5 mil

A partir de 30 de setembro, estarão abertas as inscrições para o edital de chamamento para a sexta edição do Festival Ubuntu, evento de múltiplas linguagens que conecta arte, ancestralidade, território e pertencimento, valorizando a produção cultural das periferias e sua contribuição para a construção da identidade brasileira. Este ano, o Festival terá sete dias de programação cultural e experiências entre os dias 23 e 29 de novembro, na Ocupação 9 de Julho, importante espaço de moradia popular e movimento político organizado no centro da cidade de São Paulo.

O Festival Ubuntu vai além de um festival, se consolidando como uma plataforma de formação, visibilidade artística e democratização do acesso à cultura. A edição deste ano tem como tema Ancestralidade e Território, com o objetivo de resgatar a memória e pertencimento cultural.

Artistas, grupos e fazedores de cultura do Estado de São Paulo poderão inscrever seus trabalhos dentro de sete eixos de abrangência artística. São eles: Audiovisual e Novas Tecnologias, Literatura, Ritmos – Corpo, Ritmos – Som e Voz, Artes Plásticas e Manuais, Teatro, Música e o Hip Hop, movimento cultural e artístico formado por mestre de cerimônias (MC), disc jockey (DJ), dança urbana (breakdance) e artes visuais (grafite). Os trabalhos selecionados irão se apresentar na sexta edição do Festival, em novembro, e receberão uma remuneração no valor de R$ 5 mil.

Inscrições
O formulário de inscrições estará disponível a partir do dia 30/09, no site oficial do Festival Ubuntu, onde os interessados também poderão acessar o regulamento completo, comunicados, instruções, e FAQ com possíveis dúvidas sobre o processo.

Curadoria
Os projetos serão avaliados por um time de curadores negros, referências em suas áreas de atuação e com potencial estratégico de serem multiplicadores do propósito do Festival, que é fortalecer a rede artística periférica, estimulando trocas, parcerias e conexões entre coletivos, artistas e produtores culturais.

No eixo Audiovisual e Novas Tecnologias, o diretor de fotografia, pesquisador e educador popular Well Amorim será o responsável pela análise dos projetos apresentados. É sócio-fundador da Maloka Filmes e do Perifericu – Festival Internacional de Cinema e Cultura de Quebrada, assinando trabalhos premiados e exibidos em festivais internacionais de cinema, como o de Berlim e de Guadalajara.

Matriarcak será a curadora responsável pelo eixo Literatura. A poeta, escritora, comunicadora e profissional do audiovisual possui uma vasta trajetória ligada à poesia falada, à cultura periférica e à criação de narrativas. Bicampeã do Slam SP e vice-campeã nacional do Slam BR, atua também em produções audiovisuais, oficinas de escrita, direção e projetos autorais.

Outro destaque na curadoria do Festival é a participação de Jô Pereira, no eixo Ritmos- Corpo. Jô é profissional da dança, educadora, gestora e produtora cultural, com atuação nas interfaces entre corpo, cultura, mobilidade, gênero, raça e territórios periféricos. É fundadora do Pedal na Quebrada, co-diretora da Ouvindo Passos Cia de Dança e diretora geral da Ciclocidade no biênio 2026–2028.

No eixo Ritmos – Som e Voz, a curadoria será assinada pela poeta, compositora, intérprete e educadora Ana Flor de Carvalho. Sua trajetória reúne música, literatura, teatro, cinema e cultura popular brasileira, tendo colaborado com nomes como Zeca Baleiro e Lia de Itamaracá e lançado, em 2025, o álbum autoral Pranto Terra.

Rafael Calixto será o curador responsável pelos trabalhos inscritos no eixo de Artes Plásticas, Visuais e Manuais. Artista visual, marceneiro e pesquisador independente, Rafael desenvolve trabalhos entre pintura, assemblage (técnica artística que une objetos cotidianos e materiais não tradicionais para criar uma obra tridimensional), mobiliário e experimentações com objetos. Sua prática articula arte, trabalho, memória e cotidiano, somando experiência na produção, montagem e curadoria de exposições de arte contemporânea.

Assinando a curadoria dos projetos no eixo Teatro está Rodrigo Odé, dramaturgo, ator, diretor, professor e pesquisador. Idealizador da Malta Teatro de Nação, Rodrigo articula teatro negro contemporâneo, filosofia africana e capoeira angola com trajetória na formação artística, no teatro e audiovisual em produções como Cidade dos Homens, Nosso Lar, Capoeiras e Malês.

E no eixo Hip Hop, está Samuel Porfírio. Rapper, compositor, arte-educador e integrante da cultura Hip Hop desde 2000, nascido e criado na Cohab 2, em Itaquera, Samuel é diretor executivo do selo Pelaartemusic, vocalista da banda Engrenagem Urbana, e atua também na formação cultural de jovens, inclusive em contextos socioeducativos.

“Chegar à sexta edição do Festival Ubuntu reafirma o nosso compromisso com a valorização e potencialização da cultura negra e periférica. O festival é mais do que um evento cultural. É uma plataforma viva de democratização do acesso à arte, da formação e do fortalecimento de redes criativas. A cada ano, mostramos que ‘ser humano é ser com os outros’, usando a ancestralidade e o território para gerar trabalho, visibilidade e transformação social na prática”, comenta Amanda Leones, idealizadora e diretora geral do Festival Ubuntu.

Para a diretora artística Mônica Augusto, o festival cumpre um papel extremamente relevante ao projetar a potência da arte periférica. “Já estive no papel de curadora do Ubuntu no eixo Teatro e, hoje, trago para perto esse time incrível de fazedores da cultura periférica, para que possamos fortalecer nossas redes criativas e amplificar vozes, por meio de suas narrativas e contribuições”, afirma.

Nathália Oliveira, cofundadora da Iniciativa Negra, é diretora de mobilização, articulação e parcerias do Festival. Ela reflete sobre o impacto social e econômico de um festival como o Ubuntu. “Há essa trajetória bonita de crescimento contínuo do Festival, e que, este ano, deve impactar ainda mais artistas, grupos e produtores culturais periféricos, com geração de renda e oportunidades reais de expansão por meio da economia criativa. Estamos juntos nesse compromisso pela descentralização do acesso aos nossos bens culturais”, finaliza.

Oficinas
O Festival Ubuntu atua ainda na formação dos artistas e produtores, por meio da realização de oficinas com convidados indicados pela curadoria e pela direção artística, em espaços públicos ou parceiros, na cidade de São Paulo e em cidades da região metropolitana como Osasco, Carapicuíba, Embu das Artes, Diadema, e Itapecerica da Serra.

A sexta edição do Festival Ubuntu é apresentada com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e ProAc Editais, e realizado pela Lua Produções, com produção artística da Versa Cultural.

Serviço:
Festival Ubuntu – 6ª edição
Data: De 23 a 29 de novembro
Local: Ocupação 9 de Julho
Inscrições: De 30/09 até 14 de outubro de 2026
Resultado: 03 de novembro de 2026

Formulário: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSctys_VBCQbYQS4SiWEh731wTSJ-Njm1mGhvQQ3-GsegPJAFg/viewform

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